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quarta-feira, 3 de julho de 2013

Psicotrópicos - Jorge Andrea

A Medicina, de tempos em tempos apresenta o resultado de seus estudos pesquisas mostrando à humanidade as novas conquistas granjeadas.

No setor dos medicamentos essas conquistas tem sido bastante expressivas, principalmente no que tange aos medicamentos para as diversas distonias da mente conhecidos, de um modo global, como psicotrópicos.

Os psicotrópicos de emprego específico para as distonias mentais obedecem a várias categorias e por isso com ação divergentes a depender dos casos a que se aplicam.

Alguns psicotrópicos estão destinados ao tratamento de doenças mentais mais profundas, as psicoses, que no nosso entender são conseqüências das grandes desordens perispirituais nas zonas nobres da organização cerebral; outro grupo de psicotrópicos atenderia a uma sintomatologia mais leve, que, mesmo vinda das zonas perispirituais, dariam, nos neurônios cerebrais, reflexos menos severos, podendo mesmo responder pelas neuroses em geral, finalmente, outros radicais medicamentosos se destinariam aos distúrbios mais leves, que se situariam nos campos emocionais de superfície.

Para o atendimento de todos esses complexos sintomas, além de alguns medicamentos psicotrópicos bem específicos, teríamos os de qualidades excitantes e os de potencialidades tranqüilizantes. Os excitantes com indicação no amparo de certas posições mentais de desânimo, enquanto que os tranqüilizantes teriam, como o nome está a dizer, a finalidade precípua da tranqüilização.

Daí, tirarmos a conclusão de que esses diversos, múltiplos e variados medicamentos devem obedecer uma orientação médica aplicada a cada caso em particular. Não existe propriamente aquele determinado medicamento para tais sintomas de uma doença, e, sim, um indivíduo com tais sintomas, em determinado momento, que deve utilizar tal medicamento. Em outros termos: atende-se o doente com a sua necessidade e não a doença como entidade particularizada. Nos casos das doenças da mente esta característica deve ser sempre lembrada, porquanto, a doença tem matizes variáveis de acordo com o arcabouço psicológico do próprio indivíduo e da carga pretérita que conduz. Isto equivale a dizer da importância da individualidade, dos fatores próprios a cada criatura na jornada reencarnatória, a que todos estamos submetidos no grande mecanismo da "Lei de Causa e Efeito".

As descobertas dos medicamentos para o psiquismo vieram realmente sanar muitas dificuldades, a ponto de, certos doentes, que só poderiam permanecer em Hospitais apropriados, retornem ao seio familiar, mais controlados e algumas vezes curados.

Não obstante, toda conquista, quanto mais importante, maior se faz sua repercussão. Com isso, os tranqüilizantes começaram a ser usados, as vezes de modo abusivo pelos seus efeitos quase que imediatos. Pessoas intranqüilas, por motivos diversos, diante do médico, exageram, muitas vezes, os seus sintomas para colherem no tranqüilizante o alívio que desejam a qualquer preço, esquecendo que as "pílulas" não podem lutar pelos nossos problemas. A real finalidade dos tranqüilizantes é a de auxílio, que nos permite certos controles, a fim de compreendermos como resolver o problema desencadeante das emoções desregradas. Nesta posição, sabemos quão útil tem sido a Doutrina Espírita com seu gigantesco potencial de informações e influência direta na transformação moral do homem, representando aquisições e conseqüente libertação.

Para muitos, o alívio imediato da aflição psíquica, mesmo as de caráter superficial, deve ser obtido através do psicotrópico tranquilizador. Nem sempre isto é bom, nem correto. Os tranqüilizantes devem ser empregados nos momentos oportunos, no atendimento de uma necessidade com avaliação médica.

Não podemos nem devemos escorar-nos com as "pílulas", mesmo diante das pequenas aflições. Usar o medicamento nos momentos exatos das intranquilidades de mais difícil controle, como se fora um preparo estratégico, a fim de enfrentar a grande batalha.

Devemos ter certo zelo quanto ao uso dos medicamentos, genericamente, e de modo mais acurado, ainda, no caso dos tranqüilizantes, em que muitos deles são empregados por simples informação e sem orientação médica, resultando em graves desequilíbrios emocionais.

Todos nós, no dia-a-dia, apresentamos irritações e intranquilidades, em face dos problemas e das pressões do ambiente social onde vivemos. É natural que o nosso organismo responda com sintomas na esfera nervosa, cuja intensidade das reações está a depender do arcabouço psicológico de cada um. A maioria dessas respostas, porém, na esfera emocional, pode ser avaliada, analisada e mesmo entendida como reações de defesa.

Nos casos comuns de insônia, a corrida para o tranqüilizante ainda é bem mais aflitiva. Perguntamos: por que ao termos uma noite de insônia, quase sempre não passando de horas, não procuramos uma leitura amena e construtiva, até que voltemos ao sono normal? Devemos fazer um pouco de sacrifício e entender que esses procedimentos dão forças ao organismo, evitando ser um dependente contumaz das pílulas para o repouso.

Claro que existem casos a merecerem o tratamento adequado ligados, geralmente, a outros problemas que não aqueles facilmente controlados por um pouco de disciplina e boa vontade. Quantas insônias desaparecem diante de atitudes espirituais produtivas, principalmente quando colhemos os eflúvios vigorantes que o dever cumprido pode oferecer ou um ato expressivo de fé pode conseguir.

Em muitas situações não há necessidade de um medicamento específico para que logo tudo passe com rapidez. Às vezes os sintomas menores que precisamos suportar, representam verdadeiras vacinações e escudos, afim de que posamos incorporar defesas para outras agressões maiores.

Por tudo, devemos ter a cautela necessária, no uso dos tranqüilizantes, para não submetermos o nosso organismo a uma perene e contínua diminuição de reações, elementos necessários ao equilíbrio da vida. Vida que deve ter um sentido qualitativo em potenciais positivos, a fim de possibilitar a incorporação, nos horizontes infinitos das infinitas dimensões da ternura e do amor da Grande Energia.
Jorge Andréa
Livro: Psicologia Espírita – Volume I

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