quinta-feira, 4 de julho de 2013

Fé Raciocinada

 Em torno da fé existem inúmeras afirmativas negando-lhe o caráter racional. Segundo alguns teólogos, raciocina-se sobre a crença, mas não sobre a fé. A fé, segundo eles, é uma virtude, um dom que transcende a própria razão.
    Por colocarem-na como virtude ou dom transcendental, pertencente exclusivamente à área do sentimento, é que muitas pessoas confundem emoção com fé. Por isso, é comum pessoas dizerem  ter sentido uma fé imensa, capaz de levá-las a grandes realizações, no momento em que ouviam o relato de passagens do Evangelho, ou de ações levadas a efeito por benfeitores da Humanidade, ou até mesmo em decorrência da simples leitura de uma página edificante. A emoção, a vibração espiritual que os atos nobres suscitam nas almas já portadoras de alguma sensibilidade não pode ser confundida com fé. O estado emocional é transitório, enquanto a fé é permanente. A emoção, se analisada e orientada pela inteligência, pode ser auxiliar valiosa para levar a criatura a modificar-se para melhor. Entretanto, se não for esclarecida pela razão pode conduzir ao fanatismo, à chamada fé cega, que é a negação da própria fé.
    O mundo está cheio de exemplos tristes dos frutos do fanatismo religioso. Em nome da fé, quantas perseguições, quantas mortes e até guerras? Ainda nos dias atuais, principalmente na semana santa, existem pessoas que vertem seu próprio sangue, ferindo seus corpos, ou se entregam a privações terríveis no intuito de mostrar sua fé em Deus. Se raciocinassem, veriam que Deus, como Pai amoroso, bom e misericordioso, nunca poderia ser homenageado com o derramamento do sangue dos Seus filhos. Essa concepção de um deus sanguinário, combateu-a o Profeta Elias, séculos antes de Jesus, quando enfrentou os sacerdotes adoradores do deus Baal. (I Reis, 18: 22 a 40).
    Aprende-se no Espiritismo que, na sua caminhada evolutiva, o Espírito vai conhecendo as leis de Deus, vai percebendo-lhes a perfeição e, quanto mais as conhece, mais se identifica com elas, mais confia na justiça e no amor do Criador, mais se conscientiza da Sua perfeição, mais tem fé. Essa a fé que nasce do entendimento. Inabalável, indestrutível.
    Emmanuel ensina: “Ter fé é guardar no coração a luminosa certeza em Deus, certeza que ultrapassou o âmbito da crença religiosa, fazendo o coração repousar numa energia constante de realização divina da personalidade. Conseguir a fé é alcançar a possibilidade de não mais dizer eu creio, mas afirmar eu sei, com todos os valores da razão, tocados pela luz do sentimento.” (2).
    A fé que o Espiritismo preconiza não é uma fé contemplativa, capaz de levar uma pessoa à imobilidade, em situações de êxtase, em que fica aguardando providências de Deus em seu favor. Ao contrário, é uma fé dinâmica, edificada vagarosa e conscientemente pelo Espírito, à medida que evolui, conforme ensina Emmanuel: “A árvore da fé viva não cresce no coração miraculosamente. A conquista da crença edificante não é serviço de menor esforço. A maioria das pessoas admite que a fé constitua milagrosa auréola doada a alguns espíritos privilegiados pelo favor divino.” (3)
    A fé espírita não é aquela que se fixa em objetos materiais como cruzes, escapulários, bentinhos, talismãs, amuletos, medalhas, etc. O espírita tem fé em Deus, em Jesus, nos bons Espíritos, entidades dotadas de sentimento e de inteligência, seres capazes de movimentar recursos em seu favor. Essa fé é muito diferente da crença infantil num pretenso poder mágico de objetos materiais, que não poderiam jamais movimentar, com inteligência e sentimento, recursos a benefício de alguém.
    Entretanto, é lícito se indague sobre a origem da fé raciocinada. Teria ela nascido com o Espiritismo? Não, a fé raciocinada nos vem de Jesus, dos ensinamentos do seu Evangelho. O Mestre mudou completamente o próprio conceito de religião, introduzindo no campo até então puramente emocional da fé, o componente razão, entendimento. Ninguém, até Jesus, fez tantos apelos ao raciocínio no âmbito religioso. Kardec, conhecedor profundo da atuação de Jesus, o conhecia, não como um místico, mas como um educador de almas que, ao tempo em que tocava o sentimento daqueles que o ouviam, sabia também levá-los ao entendimento das lições.. Por isso, tem a Doutrina Espírita essa característica de racionalidade. E não podia ser de outra forma, de vez que ao Espiritismo coube o papel de reviver o Cristianismo na sua pureza, simplicidade e pujança originais.
    Jesus nunca explorou a emoção de ninguém. Sua fala, mansa e humilde, precisa e firme, era dirigida ao sentimento e à inteligência. Suas lições foram sempre pautadas no diálogo, através do qual propunha o exame racional daquilo que ensinava.
    Censurado por haver curado uma mulher paralítica num sábado, bem poderia deixar que a própria cura falasse por ele, mas não perdeu a oportunidade de, através de uma pergunta, fazer pensar aqueles que o ouviam: “(...) no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou o jumento, e não o leva a beber? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de A-braão, a qual há dezoito anos Satanás a tinha presa?” (Lc, 13: 15 e 16).
    De outra feita, ele próprio perguntou aos doutores da lei, antes de curar um homem: “É lícito curar no sábado?” (Lc, 14: 3). Como não respondessem, Jesus curou o hidrópico e o despediu. Depois, ele volta a inquiri-los, a fim de conscientizá-los de que acima da letra morta há uma interpretação racional, inteligente: “Qual de vós o que, caindo-lhe num poço, em dia de sábado, o jumento ou o boi, o não tire logo?” (Lc, 14: 5).
    “E orando, não useis de vãs repetições...” (Mt, 6: 7). Quer o Mestre dizer que devemos orar com plena consciência daquilo que falamos, que a nossa oração não seja uma repetição emocional de uma fórmula decorada, como se fosse algo recitado ou declamado. Ao contrário, que seja uma mensagem conscientemente elaborada, com um conteúdo de comunicação dirigida ao Alto, e que não seja uma simples ladainha.
    Jesus, ao conversar com a samaritana, à beira do poço de Jacó, demonstra que não necessitava de inquirir alguém para informar-se de algo. Ali deixa claro para ela que conhecia-lhe o passado como a palma de sua mão. (Jo, 4: 17). Entretanto, freqüentemente fazia perguntas para suscitar dúvida no seu interlocutor, a fim de fazê-lo pensar, raciocinar e não receber passivamente um ensinamento: “Qual é mais fácil? Dizer: Os teus pecados te são perdoados; ou dizer: Levanta-te e anda?” (Lc, 5: 23).
    Ao invés de fazer um discurso eloqüente e emocionado sobre a Providência Divina, o Mestre busca, através de perguntas, levar seus ouvintes a pensarem, a raciocinarem sobre Deus. Depois de lhes ter falado sobre os lírios do campo, dizendo que Deus os veste, e compara sua vestimenta ao luxo do rei Salomão: “Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pouca fé?” (Mt, 6: 30).
    “E qual de vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhos pedirem?” (Mt, 7: 9 a 11). Também por essa passagem pode-se ver que Jesus não buscava levar ninguém a uma adoração emotiva, a uma fé cega. Ele poderia ter dito, por exemplo que se deve ter fé em Deus, criador de tudo o que existe, que é bom, amoroso, misericordioso, providente etc. Mas não, só isso não bastava. Se ficasse só nessas afirmações, teria suscitado uma fé passiva. Ele queria fazer as criaturas entenderem, através de uma comparação, que o Todo Poderoso deveria ser, necessariamente, melhor que um pai terreno e, portanto, capaz de dar maiores bens aos Seus filhos.
    Os apelos que Jesus, nas suas lições, fazia não só ao sentimento, mas também à inteligência, foi objeto de estudo até mesmo fora do ambiente religioso, por um médico psiquiatra, Augusto Jorge Cury, quando diz: “... ele não anulava arte de pensar, ao contrário, era um mestre intrigante nessa arte. Cristo não discorria sobre uma fé sem inteligência. Para ele, primeiro se deveria exercer a capacidade de pensar e refletir antes de crer, depois vinha o crer sem duvidar. Se estudarmos os quatro evangelhos e investigarmos a maneira como Cristo regia e expressava seus pensamentos, constataremos que pen-sar com liberdade e consciência era uma obra-prima para ele.” (4)
    O trecho do Novo Testamento que mais evidencia o ambiente pedagógico, de diálogo, de liberdade de análise, na busca de esclarecimentos, que Jesus propiciava a todos que ouviam-lhe as lições é, certamente, o assim chamado “A Transfiguração”. Registra Mateus, no capítulo 17, que Jesus subiu a um alto monte, acompanhado de Pedro, Tiago e João. O Mestre orou e se transfigurou, cobrindo-se de luz, ao tempo em que apareceram – seguramente materializados, pois que os três discípulos os viram – Moisés e Elias, que conversaram com ele. Passado o momento sublime, ao regressarem, o Mestre ordena aos discípulos que não contem nada do que acontecera até ele ressuscitasse. É de se imaginar o contentamento e a emoção que devem ter sentido aqueles discípulos ao contemplarem Jesus coberto de luz, Moisés, o pai dos profetas, e o grande profeta Elias.  Entretanto, eles não se detiveram em atitude de contemplação mística, de deslumbramento. Pelo contrário, o raciocínio funcionou imediatamente, na busca de resposta para algo que lhes pareceu estranho: “E os discípulos o interrogaram, dizendo: Por que dizem então os escribas que é mister que Elias venha primeiro?” (Mt, 17: 10).  Por que a pergunta? Ora, havia sido predito pelos profetas – e os escribas sempre o repetiam – que o Mestre seria precedido por Elias, que voltaria para preparar-lhe o caminho. Os discípulos, vendo Elias desencarnado, deduziram que algo estava errado: ou as profecias não espelhavam a verdade, ou aquele que se apresentara e conversara com Jesus não era Elias, ou Jesus não era o Messias! Jesus, com a tranqüilidade daqueles que detêm a verdade, respondendo, disse-lhes: “Mas digo-vos que Elias já veio, e não o conheceram, mas fizeram-lhe o que quiseram. Assim farão eles também padecer o Filho do homem.” (Mt, 17: 12). E, em seguida, conclui o Evangelista: “Então entenderam os discípulos que lhes falara de João Batista.” (Mt, 17: 13). Tudo estava certo. A profecia já se havia cumprido.
    Diante do que se acabou de ver, conclui-se que Jesus foi um pedagogo e não um místico. Sabia atrair seus ouvintes com as doces consolações da fé, mas não alimentava atitudes de deslumbramento contemplativo, face aos apelos ao raciocínio com que mesclava suas sublimes lições. Encaminhava-os ao entendimento lógico, racional dos fatos! Jesus, como Mestre admirável que foi, soube criar um clima de diálogo aberto. Foi essa liberdade que levou os discípulos a buscarem imediatamente esclarecimento sobre a aparição de Elias, embora a pergunta formulada por eles contivesse embutido um grave questionamento, qual seja o da própria condição de Messias do seu Mestre. Jesus não se sente agastado e, com a segurança daqueles que estão com a Verdade, os esclarece. Assim, vê-se claramente que Jesus não impunha suas idéias, não violentava consciências, nem exigia fé cega, sem exame. Não. Sua mensagem sempre foi dirigida ao intelecto e ao sentimento, bases legítimas da fé raciocinada, que o Espiritismo veio reviver.
1. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 9, item 7
2. O Consolador, perg. 354
3. Caminho, Verdade e Vida, cap. 40
4. Análise da Inteligência de Cristo, pág. 18
5. Bíblia Sagrada, trad. João Ferreira d'Almeida (todas as citações)
 
José Passini
Juiz de Fora  MG
passinijose@yahoo.com.br
Publicado no Reformador – fev. 2005

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ao meu amigo

Se eu morrer antes de você, faça-me um favor: 

Chore o quanto quiser, mas não brigue comigo. 

Se não quiser chorar, não chore. 

Se não conseguir chorar, não se preocupe. 

Se tiver vontade de rir, ria. 

Se os amigos contarem algum fato a meu respeito, ouça e acrescente a sua versão. 

Se me elogiarem demais, corrija o exagero. 

Se me criticarem demais, me defenda. 

Se me quiserem fazer um santo só porque morri, mostre que eu tinha virtudes, mas estava longe de ser o santo que imaginam. 

Se lhe disserem que cometi muitos erros, mostre que eu talvez tenha errado muitas vezes, mas que passei a vida inteira tentando acertar. 

E se tiver vontade de escrever alguma coisa sobre mim, diga apenas uma frase: 

“Foi meu amigo, acreditou em mim e sempre me quis por perto.” 

Se então derramar uma lágrima, eu não estarei presente para enxugá-la, mas não faz mal. Outros amigos farão isso no meu lugar. 

Gostaria de dizer para você que viva como quem sabe que vai morrer um dia, e que morra como quem soube viver direito. 

Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo. 

Mas, se eu morrer antes de você, creio que não vou estranhar o céu, pois ser seu amigo, já é um pedaço dele. 

* * * 

Valorizemos sempre os amigos que conquistamos durante a jornada terrestre. São eles que perfumam e suavizam nossos dias e preenchem nossa vida com as mais belas lembranças. 

Alguns são como verdadeiros irmãos. Caminham ao nosso lado nos dando a certeza de que podemos buscá-los, a qualquer momento, porque sempre estarão prontos a nos amparar. 

Ofereçamos também a nossa lealdade. Sejamos aquele que se preocupa verdadeiramente com o outro, que doa seu tempo, que oferta compreensão e acolhimento. 

Por vezes guardamos a impressão de que os encontros com essas pessoas especiais são na verdade reencontros, que foram anteriormente combinados entre as almas para acontecer no momento certo, superando tempo e espaço. 

Essa sensação ocorre quando acabamos de conhecer alguém e logo detectamos uma grande afinidade. Também uma intensa alegria em estar próximo. 

Mas, é possível que nos decepcionemos com esses companheiros, em algum momento. É compreensível, pois somos todos falíveis. Nesses casos, procuremos não guardar rancor. 

Recordemos que foi um amigo que acusou Jesus e que outro O negou. Alguns O abandonaram e atribuíram-Lhe a responsabilidade pelas dores que passaram a experimentar. 

E, mesmo assim, Jesus não os censurou e nem os abandonou. Por amá-los em abundância, os buscou novamente e os conduziu de volta ao reino de Deus. 

Por fim, não fiquemos tristes quando chegar a hora de nos despedirmos dessas pessoas queridas. 

A despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez. E, nos encontrar de novo, depois de momentos ou de vidas, é certo para os que são amigos. 



Redação do Momento Espírita, com 
texto inicial, de autoria desconhecida. 
Em 19.6.2013.

Psicotrópicos - Jorge Andrea

A Medicina, de tempos em tempos apresenta o resultado de seus estudos pesquisas mostrando à humanidade as novas conquistas granjeadas.

No setor dos medicamentos essas conquistas tem sido bastante expressivas, principalmente no que tange aos medicamentos para as diversas distonias da mente conhecidos, de um modo global, como psicotrópicos.

Os psicotrópicos de emprego específico para as distonias mentais obedecem a várias categorias e por isso com ação divergentes a depender dos casos a que se aplicam.

Alguns psicotrópicos estão destinados ao tratamento de doenças mentais mais profundas, as psicoses, que no nosso entender são conseqüências das grandes desordens perispirituais nas zonas nobres da organização cerebral; outro grupo de psicotrópicos atenderia a uma sintomatologia mais leve, que, mesmo vinda das zonas perispirituais, dariam, nos neurônios cerebrais, reflexos menos severos, podendo mesmo responder pelas neuroses em geral, finalmente, outros radicais medicamentosos se destinariam aos distúrbios mais leves, que se situariam nos campos emocionais de superfície.

Para o atendimento de todos esses complexos sintomas, além de alguns medicamentos psicotrópicos bem específicos, teríamos os de qualidades excitantes e os de potencialidades tranqüilizantes. Os excitantes com indicação no amparo de certas posições mentais de desânimo, enquanto que os tranqüilizantes teriam, como o nome está a dizer, a finalidade precípua da tranqüilização.

Daí, tirarmos a conclusão de que esses diversos, múltiplos e variados medicamentos devem obedecer uma orientação médica aplicada a cada caso em particular. Não existe propriamente aquele determinado medicamento para tais sintomas de uma doença, e, sim, um indivíduo com tais sintomas, em determinado momento, que deve utilizar tal medicamento. Em outros termos: atende-se o doente com a sua necessidade e não a doença como entidade particularizada. Nos casos das doenças da mente esta característica deve ser sempre lembrada, porquanto, a doença tem matizes variáveis de acordo com o arcabouço psicológico do próprio indivíduo e da carga pretérita que conduz. Isto equivale a dizer da importância da individualidade, dos fatores próprios a cada criatura na jornada reencarnatória, a que todos estamos submetidos no grande mecanismo da "Lei de Causa e Efeito".

As descobertas dos medicamentos para o psiquismo vieram realmente sanar muitas dificuldades, a ponto de, certos doentes, que só poderiam permanecer em Hospitais apropriados, retornem ao seio familiar, mais controlados e algumas vezes curados.

Não obstante, toda conquista, quanto mais importante, maior se faz sua repercussão. Com isso, os tranqüilizantes começaram a ser usados, as vezes de modo abusivo pelos seus efeitos quase que imediatos. Pessoas intranqüilas, por motivos diversos, diante do médico, exageram, muitas vezes, os seus sintomas para colherem no tranqüilizante o alívio que desejam a qualquer preço, esquecendo que as "pílulas" não podem lutar pelos nossos problemas. A real finalidade dos tranqüilizantes é a de auxílio, que nos permite certos controles, a fim de compreendermos como resolver o problema desencadeante das emoções desregradas. Nesta posição, sabemos quão útil tem sido a Doutrina Espírita com seu gigantesco potencial de informações e influência direta na transformação moral do homem, representando aquisições e conseqüente libertação.

Para muitos, o alívio imediato da aflição psíquica, mesmo as de caráter superficial, deve ser obtido através do psicotrópico tranquilizador. Nem sempre isto é bom, nem correto. Os tranqüilizantes devem ser empregados nos momentos oportunos, no atendimento de uma necessidade com avaliação médica.

Não podemos nem devemos escorar-nos com as "pílulas", mesmo diante das pequenas aflições. Usar o medicamento nos momentos exatos das intranquilidades de mais difícil controle, como se fora um preparo estratégico, a fim de enfrentar a grande batalha.

Devemos ter certo zelo quanto ao uso dos medicamentos, genericamente, e de modo mais acurado, ainda, no caso dos tranqüilizantes, em que muitos deles são empregados por simples informação e sem orientação médica, resultando em graves desequilíbrios emocionais.

Todos nós, no dia-a-dia, apresentamos irritações e intranquilidades, em face dos problemas e das pressões do ambiente social onde vivemos. É natural que o nosso organismo responda com sintomas na esfera nervosa, cuja intensidade das reações está a depender do arcabouço psicológico de cada um. A maioria dessas respostas, porém, na esfera emocional, pode ser avaliada, analisada e mesmo entendida como reações de defesa.

Nos casos comuns de insônia, a corrida para o tranqüilizante ainda é bem mais aflitiva. Perguntamos: por que ao termos uma noite de insônia, quase sempre não passando de horas, não procuramos uma leitura amena e construtiva, até que voltemos ao sono normal? Devemos fazer um pouco de sacrifício e entender que esses procedimentos dão forças ao organismo, evitando ser um dependente contumaz das pílulas para o repouso.

Claro que existem casos a merecerem o tratamento adequado ligados, geralmente, a outros problemas que não aqueles facilmente controlados por um pouco de disciplina e boa vontade. Quantas insônias desaparecem diante de atitudes espirituais produtivas, principalmente quando colhemos os eflúvios vigorantes que o dever cumprido pode oferecer ou um ato expressivo de fé pode conseguir.

Em muitas situações não há necessidade de um medicamento específico para que logo tudo passe com rapidez. Às vezes os sintomas menores que precisamos suportar, representam verdadeiras vacinações e escudos, afim de que posamos incorporar defesas para outras agressões maiores.

Por tudo, devemos ter a cautela necessária, no uso dos tranqüilizantes, para não submetermos o nosso organismo a uma perene e contínua diminuição de reações, elementos necessários ao equilíbrio da vida. Vida que deve ter um sentido qualitativo em potenciais positivos, a fim de possibilitar a incorporação, nos horizontes infinitos das infinitas dimensões da ternura e do amor da Grande Energia.
Jorge Andréa
Livro: Psicologia Espírita – Volume I

O Vôo da Liberdade e O Vôo de uma alma - Luiz Carlos Formiga

"Que Deus está conosco, em todas as circunstâncias, é verdade indiscutível. Todavia, se você não estiver com Deus, ninguém pode prever até onde descerá seu espírito, nos domínios da intranquilidade e da sombra".
André Luiz, Agenda Cristã, pelo médium Francisco Cândido Xavier.
"As Drogas e a Dependência Química"(1) é o título de um video produzido no Leon Denis Vídeo Produções. Este é um tema que sempre nos aguçou a curiosidade, pela extensão mundial da epidemia (admite-se que 2,5% da população mundial usa drogas) e pela necessidade da visão multidimensional do tema.
O Centro Espírita Irmão Samaritano (C.E.I.S.), situado no Rio de Janeiro, reuniu ex-usuários de drogas, seus familiares, profissionais de saúde espíritas e produziu um documentário sobre a dependência química, com enfoque multidisciplinar, dinâmico em alto nível técnico e com excelente qualidade de vídeo. É um esforço louvável. Acreditamos que todas as casas espíritas deveriam assistí-lo. Além do benefício do esclarecimento, da necessária conscientização, do urgente desafio da prevenção o documentário oferece, ainda , uma exata idéia da complexidade do tratamento destes pacientes.
Todos perceberão a questão das drogas como mais um fenômeno biopsicossocial e espiritual.
Os compêndios de psiquiatria afirmam que para o estudo deste fenômeno não podem ser esquecidos três pontos fundamentais: o encontro de umapersonalidade com umadroga psicotrópica, dentro de um certo grupoou contexto socio-cultural.
No livro Dores, Valores, Tabus e Preconceitos(4) , na advertência que fizemos ao leitor introduzimos a frase que ouvimos de um adolescente: "La na escola todo mundo fuma maconha". A generalização é inadequada, mas dos 200 milhões de pessoas que usam drogas no mundo, a maioria prefere a maconha ou o haxixe (130 milhões).
O saudosismo vai dizer que sou um velho professor "inativo" da Faculdade de Ciências Médicas, da UERJ, onde o trote era integração. Quando cheguei à Universidade os veteranos me avisaram: "o trote é doação de sangue, como você não tempeso nem altura não vai doar". Fiquei muito feliz pois assim escapava do trote. Mas, um outro atlético veterano com voz de "Zé Grosso" falou-me: "mas, quem não doa vai tirar". Foi a primeira aula prática de punção venosa. Com que alegria observamos o líquido vermelho aprovar a minha técnica.
Uma de minhas filhas não teve a mesma sorte. Fui encontrá-la em um sinal de trânsito, com as roupas trocadas, pedindo esmola, para os veteranos gastarem no bar. Nossos valores estão em baixa. O mal é audacioso e os homens de bem continuam muito tímidos. No entanto, outros alunos entregaram o que arrecadaram em mantimentos ao orfanato que indiquei o endereço. Precisamos agir ou teremos problemas não resistindo ao trote violento, puro sadismo, apenas para humilhar, sem a finalidade integradora-pedagógica. Calouros humilhados e apavorados podem oferecer reações inesperadas e conseqüências graves precisam ser evitadas. Essas coisas acontecem quando o "caldo de cultura" oferece condições ótimas de crescimento do micróbio veterano patogênico por excelência. Muitos deles poderão ser eleitos no futuro sem o voto consciente.
Um aluno veterano nos confidenciou, na universidade: " os dolares arrecadados na temporada de caça ao calouro são, em alguns casos, gastos em álcool e maconha".
A atuação da polícia na repressão ao tráfico não consegue apreender nem 20% das drogas comercializadas em todo o mundo. Por isso a visão destorcida do menino: "lá na escola todo mundo fuma maconha!"
O Dr. Sarinho, da Associação de Medicina e Espiritismo da Paraíba(7), diz que "o narcotráfico, nome pomposo para o tráfico de drogas, é um animal monstruoso de mil tentáculos e mil cabeças, espalhados pelo mundo". Creio que a imagem surgiu quando Sarinho ouvindo uma notícia de TV, percebeu que os mil cérebros chegaram a conclusão de que deveriam investir na infância e na adolescencia. A estratégia, difícil acreditar que seja verdade, seria utilizar "meninos de rua." Com seu poder econômico iriam tirar das ruas as crianças, abandonadas pela sociedade atual, matriculá-las nos colégios particulares, dar-lhes uniformes, sapatos e livros , após instruí-las, dar-lhes drogas, para que elas se tornem seus intermediário. Isto parece um delírio, exemplo daquilo que os jovens se referem como: "viajou na maionese". Outra viagem, ou delírio, semelhante é aquela que narra a expectativa do narcotráfico em relação a aprovação da Lei do aborto. Uma vez aprovado o genocídio eles comprariam e multiplicariam as "clínicas", bom investimento, próspero negócio.
O Núcleo Universitário do Fundão sugeriu, ano passado, o voto consciente no seu opúsculo. O leitor interessado pode ver as questões na RIE, LXXIII(8): 360, setembro, 1998, com o título: "Antes de votar pergunte ao seu candidato sobre o aborto". Se estes boatos tiverem um pingo de verdade, o Sarinho vai me perdoar, mas o monstro não tem apenas mil cabeças!
Nosso vídeo é espírita, mas a Codificação tem apenas 142 anos . O movimento espírita ainda é um embrião em termos do viver como espíritas, como referido por Luís de França, através da mediunidade de Ermance Dufax, na residência do Prof. Rivail, no dia do lançamento de O Livro dos Espíritos(2).
Se procurarmos orientações, na vasta coleção de obras de escritores espíritas, sobre a questão das drogas veremos que são escassos os títulos sobre este tema. Ainda estamos adentrando num tópico diversificado e controvertido e devemos levar em consideração que do tratamento à prevenção este é assunto que carece de verdade científica única.
Para leitores infanto-juvenis, com boa divulgação, vemos o livro "De Olhos Bem Abertos - A Realidade das Drogas", da pedagoga Cléo de Albuquerque Mello(6). No seu prefácio encontramos o enfoque do livro: "Cléo sabe, que quando o problema é drogas, uma grama de prevenção pode valer mais do que uma tonelada de cura". Isto nos lembrou um dos casos descritos pelo Dr. Andrade, no livro "As Drogas e Suas Consequências"(5). A jovem, proveniente de classe média-alta foi enviada para a Inglaterra. Seu pai queria afastá-la das areias da praia do Arpoador e da maconha. Mas na Inglaterra não era maconha, mas morfina mesmo. Quando o traficante constatou a dependência "mudou o tom da voz: - De agora em diante eu só darei a sua droga se você trabalhar para mim!". O restante o leitor pode imaginar. Gostaria de sugerir a leitura de um artigo que publicamos na Revista Fraternidade (Lisboa), 419: 149-154, maio, 1998, e que pode ser encontrado, para cópia, no Boletim 294 do geae ( Grupo de Estudos Avançados Espíritas), http://www.geae.org/, ou em artigos no NEU-RJ, http://zap.to/neurj. Seu título é "Sexo: Artigo de Compra e Venda".
No video "O Vôo da Liberdade"(1) , falamos ligeiramente falamos sobre o que a Doutrina Espírita pode oferecer. O documentário discute diversas questões, destaquemos algumas: como explicar a vulnerabilidade de determinadas pessoas diante das drogas? As drogas podem trazer à tona instintos primitivos arquivados no inconsciente profundo? Que tipos de comportamentos poderiam ser explicados desta forma? Que tipo de educação recebida pela criança pode favorecer seu consumo no futuro? Um indivíduo já pode ser um "dependente" mesmo antes de usar a droga pela primeira vez? O tratamento é demorado? Qual o valor dos grupos de Alcoólicos Anônimos e Narcóticos anônimos? É difícil ajudar quem diz: "Eu não sou dependente. A hora que eu quiser deixar, eu deixo"? A quimiodependência pode ser provocada por espíritos desencarnados? Por que pessoas bem sucedidas na vida, executivos, artistas, consomem drogas? Como o Centro Espírita pode ajudar na prevenção? E a família como vai?
Na questão da droga os extremos sociais se tocam, os muito pobres e os muito ricos são irmanados. E o pior e que "nossas autoridades são impotentes, nossas polícias despreparadas e nossos governantes não tomam uma decisão política sobre tão grave situação" (7).
"Há quem argumente que a miséria é o principal responsável pelo estado caótico em que se encontra a humanidade. Mas se a riqueza fosse suficiente para manter o equilíbrio do homem, não teríamos suicídios e crimes entre as pessoas mais ricas"(8).
"As conquistas científicas e tecnológicas não foram capazes de, sozinhas, preencher o vazio criado na civilização ocidental"(7). "se aprendermos a racionalizar a nossa vida, constataremos que o carro de 30 mil ou o de 10 mil, nos levam ao mesmo lugar". "A maior vantagem de quem vive sem artifícios é que é uma pessoa de verdade. Não precisa se preocupar em fazer tipos, tendo bolso de pobre e garganta de milionário"(8).
Com Celso Martins(5), na coordenação, surgiu o livro "As Drogas e Suas Conseqüências" e não esquecemos da interface com a Sindrome de Imunodeficiência Adquirida. "O grande investimento do momento não se faz na poupança, nem no CDB ou na Bolsa de Valores. O melhor lugar para investir é na família"(8). No capítulo sobre alcoolismo(5) comentamos que os estudos epidemiológicos, ao contrario da enfase experimental, orientam-se para a estrutura geradora do fenômeno e que, em linhas gerais, as taxas de consumo são mais elevadas nos países ricos, no subconjunto populacional em que as famílias não são coesas.
O Video "O Vôo da Liberdade"(1) e o livro "O Vôo de uma Alma"(3), onde Freitas, nos oferece um pequeno ensaio sobre um dos maiores valores literários e doutrinários do Espiritismo no Brasil, a médium Yvone do Amaral Pereira, surgem no Centro Espírita Leon Denis, no Rio de Janeiro, na mesma época e com títulos parecidos, mas qualquer semelhança foi mera coincidência. Através da médium Nilva Salata Silva, no C.E.I.S., do Além recebemos depoimentos (9) . Não temos dúvida, usar drogas é suicídio!

Drogas e Milagres- Luiz Carlos D. Formiga


Cigarro é droga? Podemos afirmar que restringir o direito de uma pessoa de fumar um cigarrinho é um gesto autoritário e antiliberal. É de foro íntimo toda decisão individual cujas conseqüências não agridam terceiros. É um direito inquestionável do consumidor comprar o que bem entender, assumindo individualmente os riscos decorrentes do seu ato, repito, desde que não incorram sobre terceiros. O direito à vida não é maior do que o direito do indivíduo fazer o que quiser com a própria existência, mesmo que seja acabar com ela lentamente com doses de nicotina.
No livro "As Drogas e Suas Conseqüências", Editora Fonte Viva- BH.MG, relembrando o cão das experiências de Pavlov o Dr. José Alberto Pastana (1) comenta que de igual maneira o ser humano entra numa situação de dependência através de um mecanismo semelhante ao do reflexo condicionado. Pergunta: ora, o que é na realidade o ato de fumar? Quantas vezes o fumante inveterado mantém o cigarro entre os dedos sem acendê-lo? Quantas vezes ele mantém o cigarro na boca também sem acendê-lo ou então o acende e não o usa ficando aquele monte de cinzas na ponta do cigarro, caindo, depois, no chão, sem que o indivíduo tenha dado uma tragada! O que é isso? O fumante tem primeiro aqui o tato fazendo com que haja uma ligação, o reflexo condicionado, tato na boca também. O cigarro, o tabaco, a nicotina, deixa um paladar na boca. Assim, a pratica de colocar o cigarro entre os dedos ou deixá-los nos lábios é uma conjugação que agrada aos indivíduos fumantes de modo que, num dado momento, o fumante não sabe fazer nada se não tiver entre os dedos um cigarro.
No mesmo livro(1), mais adiante, comentando a dependência química o Dr. Roberto Silveira diz que sem desejar apressar conclusões, não será prematuro afirmar que a dependência e a tolerância são uma questão de vontade. Uma questão que possui raízes bem profundas nos campos metafísicos da conceituação da vida. Diz que eles são neuróticos, personalidades fracas e impiedosamente abandonadas, que procuram nas substâncias tóxicas o alívio para seus variados e desagradáveis sintomas.
O Dr. Oswald Andrade, ainda no mesmo livro(1), afirma que de um modo geral dois tipos de pessoas entram na droga. Uma é de natureza psicopática, já com tendência toxicófila. É aquela pessoa cujo médico receita uma aspirina e ela toma dez, receita-se qualquer coisa e ele toma tudo em excesso. Este é o verdadeiro toxicômano, é o verdadeiro dependente. Mas existe aquele que entra na droga por fantasia, por fuga, casualidade, por protesto contra os pais e a sociedade. Estes, de um modo geral, encontram a recuperação.
Mas, voltemos ao velho cigarrinho. Podemos também argumentar que é autoritário e antiliberal o ato do fumante impingir a um não fumante a fumaça do seu cigarro. Você concorda? Mas, como fazer para assegurar que nossos jovens tenham uma inquestionável responsabilidade individual pela opção que fazem quando decidem dizer sim às drogras? Seria muito bom que pudéssemos também assegurar que a oferta de cigarro viesse acompanhada da verdade nua e crua sobre as suas propriedades e seus efeitos.
Podemos advogar que somos adultos, com capacidade de compreensão, análise, síntese e avaliação. Somos seres que raciocinam e possuem discernimento. Não somos presas inocentes, plenamente influenciáveis, carentes de um tutor iluminado que nos guie e proteja, mas e as crianças? E se as indústrias de tabaco sonegarem informações e manipularem quimicamente seus produtos de modo a tornarem dependentes químicos os consumidores?
No livro, o Dr.Roberto Silveira diz que a quase totalidade dos jovens viciados, que foram ouvidos em pesquisas minuciosas, fizeram referências aos sintomas desagradáveis que sofreram ao tomar contato com a droga. O viciado em heroína, em geral, afirma que após as primeiras doses da droga, vomitou a alma. O mesmo acontece com o "inocente" cigarro de nicotina. Nas primeiras tragadas há sempre mal-estar, tonteira e até sensações de enjôo e tosse. Cabe perguntar de onde vem essa terrível força de vontade que é capaz de vencer o medo natural das desagradáveis sensações e é capaz de transformar o indivíduo num consumidor inveterado? Será que são fugas de uma pesada condição de viver. Será que é o consciente, ou o inconsciente desejo de não viver, de morrer, de sumir para sempre. Será o desejo de não existir. Está no seu modo de agir uma revolta, consciente ou não, ao seu existir. Ele se afunda no pântano do vício, buscando na artificialidade dos efêmeros efeitos da droga a fuga de si mesmo. Ele quer libertar-se, entretanto com ela está chegando a responsabilidade de auto-discernir, sem o que não pode haver liberdade. Diz o Dr. Silveira que há medo, insegurança, ansiedade e angústia.
Em outro capítulo, um outro autor afirma que "toda e qualquer droga psicotrópica só faz diminuir o nível de funcionamento cerebral. É usada para seccionar certos setores da vida psíquica, para diminuir essa angustia de ter tantas coisas a gerenciar dentro de si mesmo. É como se dissesse: eu tenho possibilidades adultas, com uma vida emocional ainda infantil". O dependente é aquele que não mais pode romper suas amarras, que é sinônimo de morte e por medo da morte ele se mata.
O livro(1) está na sua quarta edição, agora ampliada e divulga o esforço do Centro Espírita Irmão Samaritano que, especializando-se para melhor servir, procura construir um centro de recuperação no seu projeto "Cristo Consolador". Os espíritas não têm sido indiferentes mas ainda somos poucos a ajudá-los. Mais uma vez, voltemos ao "inocente cigarro de nicotina". É um direito do consumidor ser informado corretamente sobre propriedades e efeitos do produto que está comprando, para que tenha os olhos abertos e esteja consciente de todas as variáveis que envolvem sua decisão. Cabe perguntar, devem ser pagas indenizações por danos morais e materiais sofridos por fumantes, ex-fumantes, fumantes passivos e familiares?
E a propaganda enganosa (omite no mínimo) e a abusiva (explora o medo, superstições)? E os fartos milagres? E o ópio do povo?
A tentativa de ludibriar ou enuviar a clareza de escolha de uma pessoa deve ser considerada ofensa grave aos direitos do cidadão, até mesmo quando se trate de "competição" religiosa. Mas será que a propaganda realmente possui o poder de determinar a compra de uma marca? Sabemos que é absurdo e criminoso sugerir que fumar melhora o desempenho nos esportes, mas é a demanda que gera a oferta ou é a oferta que gera a demanda? Quem nasceu primeiro o fumante ou o cigarro? Em outras palavras, o cigarro ainda nem existia e já havia os "fumantes" que o inventaram? As empresas devem ser punidas porque causam mal intencionalmente a seus consumidores? Se os indivíduos são inteligentes o suficiente para saber o que estão fazendo, quando decidem fumar, e tenham tido acesso à verdade integral sobre o que estão consumindo, não nos parece válido que depois venham alegar que não sabiam de nada.
O sistema de saúde deve cobrar contribuições diferenciadas de fumantes e não fumantes? Os fumantes devem pagar mais, uma vez que seu perfil envolve mais riscos? É justo que o dinheiro dos impostos dos contribuintes, na sua maioria não fumantes, custeie os gastos médicos de fumantes cancerosos?
"De volta a casa paterna". Para receber o ente querido dependente de volta ao lar é necessário que a família se prepare também. Por isso devemos procurar orientação com grupos de apoio às familias de dependentes químicos. A Casa Espírita pode bem realizar este trabalho, mas é necessário treinamento para não ser enganada. O "inocente cigarro" é uma amostra da dificuldade que tem o ser humano de lidar com as drogas. Ainda encontramos dirigentes espíritas que não conseguem dele se livrar. Como fazer diante de pessoas que pressentem que estão na direção da tragédia, e, ainda assim, caminham para o abismo? O consolo elas próprias costumam nos oferecer dizendo que André Luiz também foi suicida. Afirmam que é um direito inquestionável do consumidor comprar o que bem entender, assumindo individualmente os riscos decorrentes do seu ato, desde que não incorram sobre terceiros. Não incorrer sobre terceiros, isto é difícil garantir!
Após examinar com cuidado o artigo, É Proibido Proibir, do jornalista Adriano Silva(2), que não é fumante, acredito que o leitor terá bastante material para refletir. Porém, como se comportam nossos espíritos benfeitores? Afinal o fumante inveterado também possui o seu anjo da guarda. Onde estará ele, nesta hora, que não impede seu protegido de tão graves conseqüências?
Permitam-me consultar o documento disponível na home-page do NEU-RJ - http://zap.to./neurj: Antes de votar pergunte ao candidato sobre o aborto: "todos um dia saberão que temos guias espirituais que nos protegem e que nos falarão a respeito de que estamos aqui para aprender; do propósito superior de nossas vidas. No entanto, respeitando o livre arbítrio individual, nos permitem prosseguir numa situação se assim o desejarmos. Eles têm o cuidado de não eliminar nossas lições. Se estivermos avançando na direção de algo que irá nos ensinar uma lição valiosa porém difícil, eles poderão nos mostrar maneiras mais alegres de aprender a mesma coisa. Se resolvermos persistir no caminho original, eles não tentarão impedir-nos. Cabe-nos escolher a alegria, mas caso aprendamos melhor através da dor e do esforço, os guias espirituais não os afastarão de nós".
A questão do aborto, examinada no documento acima referido, também pode estar ligada ao problema das drogas. A maioria das mulheres que são encaminhadas ao Programa de Assistência Integral à Gestante HIV Positiva do Hospital Universitário do Fundão não sabiam da existência da infecção antes dos exames do pré-natal realizados nas unidades públicas. Dessas, 94% contraíram o vírus de seus maridos ou companheiros regulares.
A palavra drogas possui duplo sentido. Em relação ao título "Drogas e Milagres" uma boa notícia nos traz a biomedicina: drogas antivirais fazem o "milagre" de permitir que filhos de gestantes portadoras do vírus da AIDS venham à vida sem o HIV. Talvez por isso, Emmanuel tenha dito que se Deus desejasse a dor nós não teríamos descoberto a anestesia.

http://www.centronocaminhodaluz.com.br

Seminário Apocalipse, Mitos e Verdades com Haroldo Dutra Dias_1ª parte

Apocalipse e o Fim do Mundo na Visão Espírita e Científica - Nazare...