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sábado, 29 de junho de 2013

A consciência

"Meu avô desencarnou aos 89 anos.
Era um homem forte, de características físicas das misturas de raças de nosso pais.
Era um homem carinhoso e atencioso com os netos e com os filhos.
Lembro-me que, ainda bem criança tinha o hábito de chupar o dedo e ele não gostava de tal hábito.
Toda manhã, ele levava, em sua leiteira algumas frutas ou legumes de sua horta para minha mãe.
Chegava, tirava meu gato da cadeira da varanda e ali ficava sentado por algum tempo, proseando.
Numa manhã, ele me pegou com o dedo na boca e disse: - " quer trocar esse dedo por um presente?"- Respondi, rapidamente - Quero! -
" o que você quer?" - Quero uma conga de tomatinhos ( colorida) -" Está bem, amanhã, o vô traz a conga de tomatinho e você deixa de chupar o dedo."
No dia seguinte, lá estava, meu velho e amado avô com a tal, conga de "tomatinhos".
Lógico! não abandonei o vicio do dedo e ele sabia mas, fingia que a permuta tinha funcionado.
Anos passaram e ele adoeceu.
Primeiro a água na pleura. Causava-lhe tanta dor que pedia veneno para morrer.
Era terrível presenciar o sofrimento de meu, vô.
Um dia, ele foi internado, ficou apenas dois dias no hospital.
Desencarnou num domingo frio e nossos corações ficaram gelados.
Depois do sepultamento, fomos para casa de minha tia, passar a noite com ela.
Eu dormi no quarto, com as outras crianças minha tia e minha mãe.
Não conseguia dormir e durante a madrugada, faltou luz por alguns minutos que para mim era uma eternidade. Sentia meu avô por perto...
Na manhã seguinte meu irmão, chamava o tempo inteiro para voltarmos para casa.
Alguns meses passaram e numa noite, acordei gritando, chorando e chamando por ele.
Nas noites seguintes, os pesadelos continuaram.
Eu comecei, então, a lembrar dos sonhos que tivera durante a noite.
Ele pedia ajuda, estava em lugares lúgubres e aterrorizado, olhos esbulhados .  Tentava falar com ele mas era inútil ele não me via e não me escutava.
Por fim, já exausta e com medo de dormir, pedi a meu pai que levasse o nome dele para o livro de preces da FEB. ( meu pai, era espírita).
Após isso, passei algumas noites sem sonhar com ele.
Entretanto, não havia terminado o enorme sofrimento de meu avô. Pela primeira vez em meses, durante o sonho o vi entrar numa casa velha de madeira e fui até la, de repente o vi descendo as escadas da casa correndo e assustado, então ele me olhou e disse:- " corre, filha, ele vai me matar e matar você" - Estranhamente, não tive medo e fiquei observando o que iria acontecer. Quem estava perseguindo meu avô?
Quem poderia fazer mal, aquele ser que tanto amava? .
Qual não foi minha surpresa, quando vi que a tal figura monstruosa que o perseguia, era ele mesmo, com uma faca na mão.
Acordei, chorando e pedindo a Deus que o protegesse.
E o tempo passou, não sonhei mais. Todos em casa sabiam o que estava acontecendo; foi então que meu irmão, portador de uma mediunidade impressionante, contou que na noite do sepultamento, durante o apagar das luzes, ouviu meu avô chamando por minha tia e minha mãe e batendo na porta.
Durante todo aquele tempo, meu irmão via meu avô, no quarto dele. Resolvia o problema indo dormir na sala...
E o tempo, passava... sem pesadelos.
O que me intrigava era porque sendo ele uma pessoa tão bondosa estava passando por todo aquele sofrimento...
Minha mãe que até então, não se manisfestara, limitando-se apenas a dizer que estava rezando por ele, resolveu falar sobre como era a vida dele quando mais jovem.
Vovô, era praticante de magia negra. Em sua vida, sofrida de agricultor, valia segundo ele, qualquer coisa para defender aquilo que considerava importante nem que para isso tivesse que fazer pactos com espíritos inferiores, se assim posso me expressar. Havia prejudicando algumas pessoas com atitudes equivocadas.
O mistério estava desvendado, ele em verdade corria e fugia, tentava se esconder de sua própria consciência culpada. Por essa razão, quem o perseguia tinha a mesma forma física dele.
Um ano depois, voltei a sonhar com ele - Escutei a campainha tocar e abri a porta de casa, ele estava acompanhado de alguém que não consegui ver o rosto, apenas o vulto. Muito emocionada, disse: - Vovô
o senhor está bem? espera vou chamar minha mãe. Ele respondeu: " Não, filha. vim agradecer a você mas já   tenho que ir embora" - chorando muito, pedi que não fosse. Quando, virei o rosto para chamar minha mãe e voltei a olhar a porta ele havia, sumido.
Na manhã seguinte, contei a minha mãe o que havia acontecido e descrevi a roupa que ele usava.
(não vi o corpo dele no caixão) me pareceu importante, dizer a ela o que ele vestia.
Qual não foi minha surpresa, quando ela disse: " foi com essa roupa que papai foi enterrado".


Cuidemos de nossos pensamentos,  sintonizemos com o Bem, para que um dia, quando tivermos que prestar contas dos Talentos que recebemos do Altíssimos, não sejamos cobrados e perseguidos por nossa própria consciência.

2 comentários:

  1. Parabéns pelo post!!
    Permaneçamos firmes no bom propósito, estabelecendo a sintonia salutar com o bem através de nossas ações e pensamentos.
    A oração é força libertadora, para encarnados e desencarnados, opera sempre, nunca é desperdiçada e atinge invariavelmente seus propósitos quando consoantes com o bem e o amor.
    Muito lindo, bjs, Flavia.

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  2. Se ficássemos mais atentos as inspirações que no chegam dos amigos espirituais que temos, muita coisa poderia ser evitada.
    Enfim, vamos caminhado e aprendendo.
    obrigada pelo comentário, Luzes.
    Bjs

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